Na mesa de um bar

25 de março de 2011


Estagnado na angústia da ausência, desamparado na luta por permanência. As palavras de conforto não sustentam as pernas, não seguram as lágrimas. Os olhos ainda enganam, ainda chamam. Verdadeira lástima. O corpo seduz, fere e induz. Me atrai, me encanta, me deflora, me espanta. Me corrói... Vagamente e lentamente me destrói.

Aos passos desastrosos me perco desleixado aos ventos. Ainda presunçosos eu vejo os solitários sentimentos. De esperança, de recomeçar e de saudade. Mas a insegurança me faz desacreditar na verdade. A verdade até parece bela, porém é dolosa e extraviam os planos, os caminhos que achavam ser certos, serem verdadeiros. A verdade tirou-me o conforto e indignou-me o futuro incerto, o medo prevaleceu... O que há de vir?

Posso dizer que os amores vêem e vão. Porém isso não é bom, não me parece saudável. Pois assim sempre deixam marcas, seqüelas, cicatrizes e desgraças. Não sei se meus olhos que hoje estão sujos e só conseguem ver impurezas, tristezas e impossibilitados de boas vistas, involuntários e pessimistas.

Amarrado nas cordas do desespero, afogado nas lágrimas e nos vômitos de alguém que não reconheço, eu mesmo.

Conformado com as bordas do exagero, dopado com doses mágicas do incômodo, aquém do próprio medo... De mim mesmo.

Na mesa de um bar ou numa esquina qualquer, passa a chorar mais um homem sem sua mulher.


Por: Samuel Nascimento

2 Críticas:

  1. Lolinha disse...:

    Mas será que seríamos realmente felizes se os amores não fossem passíveis de ir e vir?

  1. A graça da vida é isso mesmo, o ir e vir dos nossos amores. os sofrimentos, as alegrias. as angústias e saudades.
    curti o texto pra caralho meu amigo.
    uma poesia proseada, magnífico.
    eu gosto de escrever sob o efeito do alcool, o "exagero" dos sentimentos nesse estado sempre dá um bom texto!
    enfim,
    com três dias tudo passa. felicidade, tristeza.
    bons dias.

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